Personagem: Sofie Carmlind

Sofie_Carmlind

 

Nesta primeira edição de “Personagem” encontramos Sofie Carmlind, uma moça da região de Värmland com inovações interessantes dentro da área do meio-ambiente sendo desenvolvidos. Ficamos sabendo um pouco mais sobre a história de Sofie, a razão pela qual está no Brasil e sobre os seus planos ambiciosos no país.

 

PERSONAGEM: Sofie Carmlind

Conte-nos um pouco da sua história e de onde você é, por favor.

Sou Sofie, a mocinha da pequena cidade Arvika no condado de Värmland na Suécia. Eu sempre quis explorar o mundo e a minha primeira aventura me levou à Espanha para um ano de intercâmbio, quando eu tinha 17 anos. Desde então eu morei em 7 países e visitei mais que 40. Frequentemente descrevo-me como uma cidadã global que ama viajar e encontrar novas pessoas.  Depois de anos viajando sabia que eu queria me dedicar a mudar o mundo para o melhor. Um primeiro passo acadêmico nesta direção foi então um diploma em Estudos da Paz e Desenvolvimento na Universidade de Uppsala em 2015.

Por que você veio parar no Brasil?

Depois da conclusão do meu curso eu não tinha certeza do que eu queria fazer. Gostei do curso, mas não me sentia nem um pouco preparada a encontrar um emprego no mercado de trabalho. Buscando aquilo que iria me motivar a levantar de manhã fui viajar de novo. Portanto, voltei para a Suécia, quatro meses depois, ainda sem ideias e angustiada acabei retornando ao meu emprego anterior numa loja. Por coincidência apareceu um link para um curso no meu Facebook. Fiquei boquiaberta. Restando apenas dois dias de prazo sentei a todo vapor em frente do computador para escrever a aplicação para o curso que ia mudar a minha vida. No dia do meu aniversário em 11 de janeiro de 2016 fui aceita no curso de “Gerenciamento de Inovação Social” (Social Innovation Management) em São Paulo.

Há quanto tempo você está no Brasil?

Fui para São Paulo no final de fevereiro de 2016 para começar o curso que durou até dezembro, quando eu tive que voltar à Suécia por causa do meu visto. Foi algo muito difícil, porque meu coração ainda estava no Brasil e sabia que eu precisava voltar. Em maio tudo caíu no lugar e me mudei para ficar.

O que está fazendo por aqui agora?

Estou trabalhando num projeto que tem a ver com a geração de biogás a partir de resíduos e lixo de comida. A minha ideia é de desenvolver um reator biológico suficientemente inteligente e pequeno para poder ser usado em pequena escala nos domicílios. Você instala o equipamento em casa, joga seu lixo de comida dentro e depois o conecta com o fogão para cozinhar com seu biogás. Um círculo de vida fechado, simplesmente. Mas a ideia ainda está em fase inicial e criei uma equipe para aprimorar a ideia. Ainda assim muito no projeto se desenvolveu depois que que me mudei de volta. Para fechar as contas também trabalho com atendimento ao cliente na Airbnb.

Fiquei sabendo que foi convidada a participar nas Semanas de Inovação Suécia-Brasil neste ano -conte um pouco sobre isso e o porquê, por favor.

É isso mesmo! Sinto-me honrada em poder participar e discursar sobre algo que é tão importante para mim. A produção de biogás em si está muito longe de ser uma inovação, apesar de ser pouco explorada aqui no Brasil. Porém há outros elementos no meu projeto que são inovadores. Quero trazer a produção do biogás para as cidades e especialmente para os de baixa renda através de um plano de negócios inteligente. Muitas vezes as soluções inovadoras para os nossos problemas do meio-ambiente apenas alcançam os que têm condições de se importar. Conseguindo criar mudanças que alcançam os de baixa renda também – há um potencial grande de realmente fazer diferença, uma vez que a maioria das pessoas no mundo encontram-se nesta situação.

Fora disso eu também fui convidada a participar num evento no Rio de Janeiro sobre o tema “redução de resíduos de comida, onde haverá a participação do WWF, “Save Food Brazil”, a Prefeitura etc. Fico muito animada que as coisas começaram a andar.

O que está achando da vida no Brasil?

O fato de eu me mudar de volta para cá diz muito, eu acho. Simplesmente amo morar aqui! Já que venho de um país seguro e estável muita gente pergunta por que mudei para cá. Costumo dizer que a minha nacionalidade pode até ser sueca, mas a minha cultura interior é brasileira. Converso com todo mundo e não tenho medo de mostrar os meus sentimentos. Pode-se dizer que a minha personalidade e quem eu sou tem mais espaço disponível por aqui. Em outras palavras – é mais fácil ser Sofie no Brasil do que na Suécia.

Quais são as maiores diferenças com a vida na Suécia, por exemplo?

Sinto que os brasileiros realmente sabem aproveitar a vida e principalmente se divertir! Enquanto o povo na Suécia vive para o final de semana – por aqui é possível fazer alguma coisa todos os dias. Também há uma paixão e garra no povo brasileiro que me atrai. São muito orgulhosos da sua cultura e tudo que vem em consequência disso. Outra coisa agradável com os brasileiros é seu jeito convidativo e gentil. Apesar de ser nova no país esse jeito tem facilitado muito a se adaptar a viver e estar no Brasil.

Como pensa da situação atual e do futuro do Brasil?

Tem muita coisa que do meu ponto de vista está completamente invertida no Brasil. Injustiças, ausência de direitos humanos, violência e corrupção. O que está acontecendo no Brasil quase não me surpreende mais. Mas o mundo em que eu vivo reflete tanta esperança! Algumas pessoas que eu encontro dizem que sou louca querendo ficar no Brasil e que, se pudessem, iriam embora. Mas meu ambiente mais próximo é motivado pelos problemas, são orgulhosos do seu país e estão trabalhando na construção de um Brasil melhor. Tenho amigos que gerenciam uma escola em Paraisópolis, desenvolvem um aplicativo para prevenir estupros domésticos, fortalecem desenvolvimento feminino no campo, incentivam empreendedorismo em áreas pobres entre outros.

Quais são seus interesses no tempo livre?

Sou uma moça dos esportes mesmo! Jogo futebol todas as terças-feiras e ultimamente também voltei ao basquete. Louca por comida também seria uma possível descrição de mim e, portanto, frequentemente faço jantares em casa com inspiração dos países que eu visitei. Quando possível também aproveito para passear neste país lindo. Última vez foi Belém do Pará, mas também tento visitar as praias maravilhosas que São Paulo oferece. Os finais de semana são preenchidos por churrascos, samba e música ao vivo.

 

A entrevista foi feita em sueco e traduzida para o português. 

 

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